sexta-feira, 30 de maio de 2008

Vila Kretzer em São Pedro de Alcântara, é notícia no SPA em foco de Manuela Mendes

Uma das mais belas casas da
região de São Pedro de Alcântara
localiza-se em Santa Filomena,
aproximatamente a três quilômetros
do Centro do município, a vila
Krtezer. Construída em 1920, é a
única edificação de São Pedro de
Alcântara tombada pelo estado de
Santa Catarina. O local também
possui outros quatro monumentos
tombados, só que nível municipal:
o casarão Shuweitezer, próximo ao
Campo de Demonstrações, o
cemitério antigo, a figueira, que
situa-se na praça de São Pedro de
Alcântara e o caminho das tropas.
De acordo com a arquiteta da
Fundação Catarinense de Cultura
(FCC) Simone Harger, para uma
construção, dança ou qualquer outra
manifestação cultural, ser tombada
deve ter alguma característica que
mostre ser única nível federal,
estadual ou municipal.
A vila Kretzer localiza-se na Rua
Geral de Santa Filomena e foi
construída por uma das mais
tradicionais famílias do início do
século XX, a Kretzer. Este casarão,
que pertenceu a Germano Antônio
Kretzer e a sua esposa Filomena
Koerich Kretzer, lhes serviu por
muitas décadas.
O casarão rosa, como é
chamado, se constituía de um
armazém que a família tinha, em
cima a casa, ao lado um depósito,
que a família guardava os artigos
para serem vendidos, na frente um
salão de festas e ao lado um campo
de bolão.
Quando ocorriam festas da
padroeira Santa Filomena no mês de
agosto, Germano Kretzer realizava
bailes e servia comidas típicas
alemãs e a tarde café colonial. Em
1956, Kretzer morreu, com 76 anos
e foi sepultado no cemitério de Santa
Filomena, em frente ao casarão.
Após a venda do casarão em 1985,
para o escritor e artista plástico,
Rodrigo De Haro, o salão foi
demolido e uma parte do depósito
também. De acordo com Nilton José
Kretzer, 63, neto de Germano
Kretzer, a casa foi vendida com a
intenção do De Haro reformar, mas
isso não ocorreu. “Um dos motivos
do salão ter sido destruído foi por
causa do telhado que era de
madeira. Houve infiltração de água
e acabou apodrecendo, onde caiu”,
afirma Kretzer.
Quando a vila foi construída a
porta principal da casa ficava junto
a rua, que na época passava apenas
cavalos, carroças e mulas.
Atualmente, o trânsito é de veículos
pesados, como caminhões e ônibus,
que provocam trepidações,
atingindo a estrutura da casa. Com
o tombamento, foi realizado um
desvio para não afetar mais a
construção.
Segundo Simone, o Casarão
Kretzer foi tombado pelo Estado
porque é único conjunto de
edificações de São Pedro de
Alcântara que marca um período da
colonização alemã, em Santa
Catarina. “A vila Kretzer foi tombada
pelo Estado por sua complexidade
de funções, por exemplo, a casa em
cima do armazém, e pelo número
de unidades de apoio”, diz Simone.
O casarão têm características
dos primeiros imigrantes, como
vários ornamentos, pinturas estêncil
(uma faixa pintada a mão que fica
situada em cima das paredes),
sótão que era onde a família morava
e o pé direito alto.
Kretzer conta que quando seu
avô construiu o casarão, banheiro
não existia, era uma patente do
outro lado do rio, quando faziam as
necessidades caia no rio. “Tenho
saudades dessa época”, diz.
A família Kretzer foi um das
poucas famílias da época que
tinham usina elétrica própria.
“Através da roda de água fornecia
luz e ao anoitecer era desligada às
18hs”, afirma Kretzer.
“É muito importante preservar o
casarão rosa, pois é uma das
primeiras construções em estilo
germânico do município, onde
residiu uma das primeiras famílias
da colonização alemã”, afirma a exmoradora
da casa, Rosilene da
Silva. “A vila Kretzer representa a
preservação da cultura alemã no
município”, completa.
“Me sinto orgulhoso pelo casarão
que pertenceu aos meus
antepassados ter sido tombado pelo
Estado”, relata Nilton José Kretzer.
Hoje o casarão pertence ao
médico oncologista, Marcelo
Colaço, que executou algumas
reformas. Entre as modificações
estão a construção de banheiros e
quartos no antigo casarão. Outra
mudança foi a transformação na
área de serviço em um espaço de
lazer. Na frente do casarão
antigamente não havia jardim e nem
cerca, hoje tem.

6 comentários:

Prof. Wieland Lickfeld disse...

Parabéns pela postagem do histórico da Vila Kretzer. Ficamos impressionados com a beleza da construção quando, em abril, passamos pelo lugar a fim de levantar potencialidades para a organização de uma viagem. Logramos êxito e neste sábado, 15/05, mostraremos a cerca de 30 pessoas este importante monumento arquitetônico. Graças à sua postagem, todos poderão saber a história da casa. Felicidades!

Loreno Luiz Zatelli Hagedorn disse...

Caro Weiland, fico muito feliz que você tenha gostado. também visitei seu blog. Encontrei lá uma referência a sogra de meu grande amigo Klotz, do Hotel Tirol, dona Mitzi. Devo lembrar que naquela época o Hotel Tirol estava localizado na antiga resid~encia de um médico. Somente muito mais tarde, seria construído pelo Klotz o prédio moderno, que mantém as característica do Tirol e que conhecemos como sendo o Hotel Tirol hoje.

- disse...

Também tenho a honra de assinar esse sobrenome, porém não faço idéia se minha decendência é a mesma, pois não conheço muito da familia, porém pretendo fazer a dupla cidadania, hoje moro em Indaial/SC, sou neta de Rufino Kretzer, que por sua vez é filho de Antonio Kretzer, daí nao sei de mais nada... rssss caso possuam documentos que possam me auxiliar nessa batalha ficarei imensamente grata...

Loreno Luiz Zatelli Hagedorn disse...

Cara Neta de Rufino, acho um bocado difícil conseguir a dupla cidadadia. Nossa família está no Brasil tempo demais. A aquisição da cidadania alemã está muito limitada, especialmente após os anos 50 do século passado.
Um forte abraço e força na sua luta.
Loreno

Gabriel Kretzer disse...

Muito interessante, eu estava pesquisando por curiosidade mesmo, e acabei achando este blog. Gostaria de dizer que se precisar eu posso ajudar, conheço umas fontes da família, que já pesquisaram a Árvore Genealógica e pode ser muito útil, se tiver interesse, me procure.

gabrielskretzer@hotmail.com

Eliane Schell disse...

Olá! Minha avó paterna era Olívia Kretzer, filha de Felipe Kretzer e Margarida Schmidt, que por sua vez era filho do imigrante alemão Philipp Kretzer, casado com Maria Sens. Quando criança, tinha uma tia materna que morava próxima ao casarão. Tive o prazer de conhecê-lo por dentro. Na minha imaginação infantil, eu andava pelos seus inúmeros cômodos, fantasiando que estava em um castelo.Que bom que está preservado.Parabéns ao proprietário!